Tremor é o segundo trabalho autoral do cantor paulistano Guilherme Eddino. Produzido e mixado pelo próprio Guilherme, Tremor usa o ritmo e a percussão como catarse, influenciado por samba, disco, funk setentista e outros estilos. Tambores abrem o disco e a faixa-título, mergulhando num crescendo de guitarras, sintetizadores e loops vocais que culminam num caos controlado. Em Febre, uma levada dançante proclama a libertação em meio a melodias entrelaçadas, enquanto Mea Culpa surge fragilizada como um samba-canção eletrônico e a multi-facetada Lá De Onde Eu Vim celebra as raízes e as estradas que se bifurcam na forma de uma suíte, mesclando elementos de dubstep, violões e sons orquestrais.

Tudo começou pelo título. "A palavra me pegou de jeito. Ela me remetia a uma placa tectônica se rompendo, mas também trazia algo de medo e excitação. Eu estava prestes a fazer 28 anos e comecei a me sentir muito nostálgico pela primeira vez na vida. Me peguei tentando localizar memórias da infância, indo atrás de fotos, fazendo perguntas sobre o passado... E quanto mais eu mergulhava nele, mais entendia como eu tinha virado quem sou hoje. Então foi quase uma autoterapia."

Depois da polaróide que foi Pulsar (2012), com sua mistura de indie rock, toques eletrônicos e violões representando a personalidade de alguém que tenta se desvendar, Tremor agora se coloca como um curta-metragem sobre memórias e raízes. “É um olhar para trás sem deixar de andar para a frente.”

 

No novo trabalho, a presença forte do ritmo chama a atenção desde o primeiro instante. “Escrever algumas das canções foi tão catártico que resolvi usar percussão pra simular um rito de passagem quase tribal. Abusei de tambores, maracas, bongôs, queixadas, cajóns, djembês. Aí o disco acabou ficando com um ar meio denso e, ao mesmo tempo, dançante. Criou uma dualidade interessante."

"Lembro que compus Mea Culpa de uma sentada só, num dia em que senti saudade de um canário de estimação que tive na infância. Comecei a escrever quase como um pedido de perdão por ele ter vivido e morrido numa gaiola, mas quando terminei senti que a música tinha ido bem mais longe."

Na faixa-título, Guilherme canta: Até que um dia bate o desespero de sentir o cheiro, o toque e o sabor. Tambores abrem o disco, num crescendo de guitarras, sintetizadores e loops vocais que culminam num caos controlado. Está rachada a placa tectônica.

Na faixa de trabalho Febre, uma levada dançante proclama a libertação em meio a melodias entrelaçadas, enquanto Na Estrada é uma balada doce que mescla violões e guitarras suaves. “A letra tem várias referências a amigos meus e pessoas próximas que foram embora, seja no sentido figurado ou não.”

A climática Lá De Onde Eu Vim celebra as raízes e estradas que se bifurcam em forma de suíte, mesclando elementos de dubstep, violões arpejados e sons orquestrais. “Fiz questão de eu mesmo gravar o solo com meu primeiro violão. Foi com ele que aprendi a tocar.”

"Tremor é claramente o melhor disco nacional que ouvi neste ano. Guilherme Eddino tem uma voz andrógina à Ney Matogrossso, toca um monte de instrumentos, e o disco tem de rock safado oitentista e indie-pop a samba e bolero, passando por baladas folk e grooves dançantes. É muita informação?, sim, mas tudo soa coeso, coisa de quem sabe o que tá fazendo e aonde tá indo. Ô disco foda." (Fábio Vanzo)

lançado em 10 de abril de 2015   ///   todas as faixas por Guilherme Eddino   ///   Guilherme Eddino - vocais, violão, guitarra, teclados, gaita, ukulele, bandolim, percussão   ///   Luciano Montesanti – guitarra   ///   Nivaldo Maciel – baixo   ///   Henrique Polak – bateria e percussão   ///   Daniel Hansoy – guitarra (3,6,7) e violão (9)   ///   Paulo Amarante – trombone (7)   ///   produzido e mixado por Guilherme Eddino   ///   gravado por Henrique Polak   ///   masterizado por Samuel Bordon   ///   foto e arte da capa por Xisto e Guilherme Eddino